2018 JÁ-2: Inexiste acordo entre Temer e Alckmin; o tempo é o senhor do destino da relação; que números haverá em abril?

Publicada: 10/12/2017 - 8:45


Vista geral da convenção tucana: vem muito solavanco pela frente

Na convenção deste sábado, o agora presidente do PSDB, Geraldo Alckmin, e presidenciável certo da sigla deu uma piscadela para o presidente Temer e para o PMDB. Como é mesmo aquele clichê do sapo de Guimarães Rosa? Sapo pula por precisão, não por boniteza. E o mesmo fazem os pavões: tornam-se tucanos por precisão, não por… boniteza. Fazer oposição ao governo Temer, como queriam alguns, era um delírio estúpido.

O aceno deste sábado foi dado, mas sabem cumé… É preciso que todos os que estão nesse jogo não partam do princípio de que o outro é trouxa. Alckmin reconhecer, como reconheceu na convenção, que o governo Temer está tirando o país do buraco não implica colocar-se como candidato TAMBÉM do governo em 2018. Isso ainda não está dado nem foi negociado. E cumpre, então, deixar claro: o presidente terá um candidato que defenda o seu legado. Se vai ou não ser o nome do PSDB, isso se verá e certamente depende ainda de muita conversa.

O senhor do destino tanto para Alckmin como para Temer chama-se “tempo. Nas simulações de primeiro turno em que o nome de Lula consta da lista, o tucano ainda não consolidou dois dígitos. Sem o petista, está — hoje ao menos — longe de ter assegurado um segundo lugar. Complicador nesse caso: os nomes alternativos do PT mal são lembrados pelos eleitores, é verdade, mas as pesquisas indicam que o poderoso chefão petista tem capital político para pôr um ungido seu no segundo turno.

Se os números se moverem timidamente para Alckmin até março ou abril, aí se vai sentir aquele cheirinho de crise na candidatura.

O tempo também é importante para Temer. Ali pelo começo do segundo trimestre de 2018, espera-se que os brasileiros já tenham começado a sentir a melhora na economia. O país voltou a crescer. Vamos ver com que velocidade muda a percepção do brasileiro-eleitor.

Só aí se saberá se Alckmin será mesmo o candidato único das chamadas forças de centro.

Se o aceno do novo presidente do PSDB ao PMDB e a Temer foi para valer, então está a fazer a coisa certa. Caso se trate apenas de uma acomodação para tentar esfriar o eventual lançamento de um nome do governo  — Henrique Meirelles, por exemplo —, então é o caminho da perdição.

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