Acende-se o sinal amarelo para Alckmin, Ciro e Bolsonaro. Mesmo com Lula fora do jogo, viés é pró-esquerda. Eu adverti, né?

Publicada: 15/04/2018 - 10:42


Se Lula (PT), mesmo na cadeia, Marina Silva (Rede) e Joaquim Barbosa (PSB) podem comemorar, é evidente que, nesta jornada, acende-se o sinal amarelo para Geraldo Alckmin (PSDB), Ciro Gomes (PDT) e Jair Bolsonaro (PSL). Comecemos por este. Segue empacado há muito tempo na casa dos 15% quando Lula aparece na disputa e não ganha praticamente nada quando o petista está fora: vai para 17%. É o que chamo de candidatura inelástica porque existe para alimentar a fúria dos fanáticos. Quem não é da turma não consegue entender nem mesmo seus momentos de humor, tão truculentos como os de fúria. Sempre houve um eleitorado de extrema-direita do país que se sentia órfão. O cara está na área. Mas Marina encosta, indo de 10% para 15% quando Lula está fora do jogo.

Ciro Gomes, do PDT, fica com modestos 5% quando o ex-presidente está na lista; sem o petista, vai para 9%, um salto considerável, sim — afinal, ele recebe 15% dos eleitores lulistas. Ocorre que Barbosa mal chegou à festa e já empata com ele nesse cenário e exibe mais musculatura quando o petista disputa: 8%.

Ciro tem um motivo adicional para se preocupar: é dono de uma retórica meio inflamada. Embora com sotaque de esquerda, também põe na sua mira as elites, apelando a uma linguagem com sotaque moralista. Barbosa pode transitar na sua faixa, sim. Como pode, acreditem, tomar eleitores de Bolsonaro. Caso realmente apresente seu pleito, será um digno representante do Partido da Polícia. Não creio que o eleitorado de extrema-direita no país some entre 15% e 17% dos votos. Parte dos eleitores de Bolsonaro acredita em sua retórica estridente de combate à corrupção e aos privilégios. E Barbosa veste esse figurino com mais credibilidade.

A eleição está longe, e Alckmin está cuidado de selar as alianças. Mas a sua situação eleitoral é delicada. Com Lula na disputa, continua estacionado em um dígito. E bastante modesto: apenas 6%. Sem o petista, não passa dos 8%. Sim, estamos a falar da fotografia do momento. Mas, em muitos aspectos, os momentos pioram em vez de melhorar. Há uma aposta de que o centro e a centro-direita ainda acabem se dando conta do risco do abismo e se rearranje. Mas, a julgar pelos últimos movimentos desse campo ideológico, convém alimentar uma esperança pessimista.

Candidaturas que transitam nessa faixa, convenham, têm sabido usar a boa-vontade da imprensa, gerando o que eu chamaria de “notícia sem lastro eleitoral”. Flavio Rocha (PRB), João Amoedo (Novo) e Rodrigo Maia (DEM), com 1% das intenções de voto, talvez se deem conta de que a fragmentação tende a jogar a vitória no colo da esquerda, risco para o qual chamo a atenção desde o fim de 2016, quando ficou claro que a Lava Jato tinha o propósito de varrer do mapa a classe política e quando a direita xucra passou a lhe dar suporte nas redes sociais.

Dados os números do Datafolha, a única coisa que os não-esquerdistas podem comemorar é mesmo o fato de Lula estar preso. Nem entro no mérito agora se isso é justo ou injusto. A minha questão é outra: convenham, é preciso que essa gente tenha feito muita besteira para estar reduzida a essa miséria intelectual e política, não é mesmo?

Seria mais ou menos como perguntar:
— Qual é a sua estratégia política?

E ouvir como resposta:
— Manter Lula na cadeia para ele não ganhar a eleição.

Pior: Lula está preso. E a esquerda segue favorita.

Eu bem que avisei, não é mesmo? Já no fim de 2016. E isso me rendeu o ódio dos idiotas.

Eis aí. Quem se dedica ao ódio fica sem tempo para pensar.

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