Apoio do PT a regime assassino da Venezuela prova compromisso do partido com a democracia

Parece ir além do simbolismo o fato de que o marqueteiro de Maduro, na campanha de 2013, foi ninguém menos do que João Santana, o marqueteiro de Lula que foi parar na cadeia

Publicada: 07/08/2017 - 16:29


Assistam a este vídeo:

Em 2013, Luiz Inácio Lula da Silva gravou um vídeo em apoio à candidatura de Nicolás Maduro à Presidência da Venezuela, que o atual ditador já ocupava desde que Hugo Chávez havia ganhado um justo lugar no inferno, no dia 5 de março de 2012.

Atenção, meus caros! A Venezuela já era um dos países mais violentos do mundo, e Caracas, a capital com o maior número de mortos por 100 mil habitantes. A economia do país já estava em frangalhos, dependente que era exclusivamente do petróleo, cujos preços haviam despencado.

Os “grupos de autodefesa” criados por Chávez fizeram da população civil umas das mais armadas do planeta. Aliás, os que defendem o fim do Estatuto do Desarmamento no Brasil em nome da chamada “autodefesa” estão se alinhando com uma tese… chavista!!! O curioso é que tal discurso, em Banânia, tem origem na extrema-direita. No país vizinho, foi manipulado pela extrema-esquerda. Bastaria isso para evidenciar como uns e outros estão certos, não é mesmo?

A inflação no país já está acima dos 500% ao ano — desde a morte de Chávez, está perto de 5.000%, com um encolhimento do PIB de 17%. E como Maduro resolveu “botar ordem” na casa? Ora, fazendo o que sabe fazer a esquerda xucra: controlando preços, centralizando o câmbio, estatizando a distribuição de alimentos, tornando ainda mais restritivas as leis trabalhistas, expropriando empresas privadas… Vale dizer: alimentando o caos.

Mas, em 2013, Lula não tinha dúvidas. Prestemos atenção ao que ele diz:
“Nos oito anos em que fui presidente do Brasil, tive a oportunidade conviver com Nicolás Maduro, que era ministro das Relações Exteriores da Venezuela. Maduro se destacou brilhantemente para projetar a Venezuela no mundo e na construção de uma América Latina mais democrática e solidária”.

Muito bem: essa Venezuela mais democrática e solidária trata a bala os que protestam e encarcera os líderes da oposição.

Lula, no entanto, era só certeza sobre a beleza do regime. Referindo-se a Maduro e Chávez, afirmou:
“Os dois compartilhavam as mesmas ideias sobre o destino do nosso continente e os grandes problemas mundiais. Mais do que isso: Chávez e Maduro tinham as mesmas concepções sobre os desafios que a Venezuela tinha pela frente”.

Pois bem: o país é hoje uma ditadura militar, com um fantoche civil, dominada pelo narcotráfico. É o único país da América Latina que merece a alcunha de “narcoestado”. Está fora, sem data para voltar, do Mercosul porque violou a cláusula democrática do chamado “Protocolo de Ushuaia“, que define os fundamentos do bloco econômico.

Não custa lembrar, note-se, que a já ditadura venezuelana só passou a integrar para valer o Mercosul em 2012 em razão de um golpe dado por Dilma Rousseff e Cristina Kirchner. Lembro rapidamente: o Senado do Paraguai vetava a entrada daquele país no bloco — e a aprovação dos respectivos Legislativos dos países-membros era uma precondição da integração. Naquele ano, Fernando Lugo foi deposto por um processo de impeachment legal e democrático no Paraguai. Brasil e Argentina classificaram o evento de “golpe” e suspenderam o país. Aproveitaram, então, a ocasião para admitir a ditadura venezuelana. Na área externa, certamente foi a coisa mais vergonhosa que fez o governo Dilma.

Há sinais, ainda que discretos, de fissura nas Forças Armadas, a exemplo da tentativa de levante havido na 41ª Brigada Blindada de Valencia, sob a liderança de Juan Caguaripano, capitão da Guarda Nacional Bolivariana (GNB). As forças leais a Maduro sufocaram a pequena rebelião. Mas começa a ser um consenso que o progressivo isolamento do país pode levar os militares a tomar a decisão de depor Maduro. Não é uma tarefa simples. Desde que chegou ao poder, em 1999, Chávez se encarregou de substituir toda a cúpula das Forças Armadas por militares identificados com o bolivarianismo. Parte considerável deles, hoje em dia, serve ao narcotráfico.

O apoio do PT e das esquerdas brasileiras ao regime de Maduro indica o compromisso que tem essa gente com a democracia e com as liberdades públicas. Observem: já não se trata mais de escolhas, vamos dizer, ideológicas no terreno econômico. Não é mais o caso de indagar se a Venezuela precisa de mais Estado ou de menos. Hoje, um regime exerce aquela que considera uma prerrogativa natural: prender e matar os que a ele se opõem. E com o apoio do PT, o partido que, no Brasil, acusa de golpista o exercício regular da democracia e do Estado de Direito.

Bem, parece ir além do simbolismo o fato de que o marqueteiro de Maduro, na campanha de 2013, foi ninguém menos do que João Santana, o marqueteiro de Lula que foi parar na cadeia.

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