Chefe de análise risco da Moody’s diz o que a imprensa, sob patrulha, omite até de si mesma: Temer fez em 2 anos o que outros fariam em 8

Publicada: 16/05/2018 - 7:23


Já escrevi aqui sobre os momentos desastrosos em que a própria imprensa perde a objetividade e se deixa seduzir por “verdades coletivas” que nada mais são do que mentiras influentes.

Não deixa de ser chocante — porque poucos jornalistas teriam coragem de afirmá-lo no país — a gente ler a opinião sobre o governo Temer expressa por Mauro Leos, chefe de análise de risco soberano para a América Latina da agência de rating Moody’s. Em entrevista ao Estadão/Brodcast, ele afirmou o seguinte:
“Não sei se foram 20 anos, 15 ou 10 anos, mas o fato é que, para um presidente que começou a governar no meio de uma administração, para um presidente que tem sua legitimidade questionada, para um presidente que foi apontado em caso de corrupção também questionável, ele fez muita coisa em um curto período de tempo”.

Leos destaca algumas virtudes que eu já apontava na gestão Temer em dezembro de 2016: avanços em marcos regulatórios, na governança corporativa para estatais, na nova forma de atuação da Petrobras e na reforma trabalhista. E acrescenta:
“Ele [Temer] fez isso não apenas porque contou com bons conselheiros, mas porque é um político de operação. Se há alguém que sabe lidar com o Congresso, é Temer. Eu não acho que ele tenha feito essas coisas porque sempre tenha pensado desse jeito: ‘quando eu for presidente, vou fazer as reformas’. Acho que ele fez estas coisas porque buscou um caminho para compensar essas questões negativas, mas foram mudanças importantes. Ele fez em apenas dois anos o que muitos presidentes fizeram em quatro ou oito anos, esta é a realidade”.

Notem: este não é um governo que deveria estar sendo aplaudido apenas porque domou a inflação, recolocou os juros em patamar civilizado e nos tirou da pior recessão da história, sem arranhar minimamente os programas sociais — na verdade, ele até lhes aplicou uma injeção de recursos. Este é um governo que merecia continuar em razão de escolhas que se mostrarão acertadas no longo prazo. É o caso da reforma trabalhista. Afirma o analista:
“Tudo o que podemos dizer é que muitos analistas acreditam que esta administração fez o que precisava ser feito. É o caso da reforma da Previdência, que [ainda] precisa ser feita. No médio prazo, se verá resultado, no curto prazo, depende do ciclo econômico, então, [a reforma trabalhista] não muda [ainda] o número [do emprego], mas é um bom sinal para o sentimento do investidor. Temos de reconhecer que ele [Temer] fez coisas que podem não ter dado resultado ainda, mas que são importantes e podem fazer diferença sobre como as coisas vão ocorrer no futuro”.

É esse presidente que enfrenta dificuldades até em seu próprio campo ideológico para encontrar quem se disponha a reconhecer esse óbvio legado. É esse presidente que teve a sua reputação corroída, de um lado. pela conhecida máquina petista de depredar biografias e, de outro, pela adesão de conservadores e direitistas genéricos ao que de pior produziu não a Lava Jato, mas o lava-jatismo:  a absolutização da caça à corrupção. Também esse valor, a exemplo de qualquer outro, quando tornado redutor de todas as coisas, distorce ou destrói a verdade em nome de uma mística.

Em vez de esse presidente ver ao menos reconhecido o papel central em ações que afastaram o país do abismo e o recolocaram no caminho, nós o vemos obrigado a responder se teme ir para a cadeia depois de encerrado o mandato. A pergunta, feita pela rádio CBN, poderia estar ao menos ancorada em alguma prova evidente e inquestionável. Mas não está. Ela é pautada apenas pelo poder discricionário de que hoje gozam setores do MPF e do Judiciário para mandar para a cadeia quem eles acharem útil que seja mandado para a cadeia.

E ninguém ousa contrastar esse poder. Nem mesmo aquele que, na prática, tem o poder de fazê-lo na defesa da Constituição: o STF. O tribunal deixou de ser “supremo” para ser “subordinado” ao alarido, à gritaria e às formas várias de justiçamento.

Ruim para o conjunto dos brasileiros. Pior para os mais pobres. Porque é sabido que os investidores fogem do populismo, da insegurança jurídica e da irresponsabilidade fiscal. País assim fica à mercê de bucaneiros, que já estão lucrando com a instabilidade decorrente da incerteza eleitoral gerada por essa nova religião que tiraniza a inteligência e que, não fossem algumas faltas e gols de mão que afastaram o petista da disputa — o que também cobrará seu preço — levaria o país a um segundo turno entre Lula e Bolsonaro.

Isso diz muito do que estamos fazendo, como país, de nós mesmos.

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