Governadores petistas se reúnem para debater o cenário eleitoral; entre eles, não se sataniza a possibilidade de uma aliança com Ciro, do PDT

Publicada: 16/05/2018 - 6:42


Governadores petistas se reúnem com Lula em janeiro. A partir da esq.: Pimentel, Dias, Viana, Santana e Costa (Foto: Ricardo Stuckert)

Há dois grupos se movimentando no PT: um se diz apegado à candidatura de Lula e afirma não enxergar amanhã fora do seu nome. Outro trata de manter abertos os canais com Ciro Gomes, pré-candidato do PDT. O que é para valer? Pois é… De tal sorte é irrealista achar que ele possa ser eleito na cadeia ou que seu nome venha a ser referendado pelo TSE que só posso pensar que há nisso uma estratégia. Se for uma tentativa de sagacidade, vá lá… Será preciso apenas saber a hora de parar. E ela já está chegando. Se for crença mesmo, dizer o quê? Não há diálogo com doidos.

Na hipótese de sagacidade, colhem-se, por enquanto, frutos positivos. O petista segue com o prestígio eleitoral inabalado. Resta saber o que fará com ele. Ainda que as pesquisas apontem que tem potencial de transferência de votos que, em tese ao menos, põe um candidato no segundo turno, trata-se de uma operação de alto risco. Conhecemos o que poderia ser chamado de “O Milagre de Lula” operado fora da cadeia: a eleição de Dilma. Trancafiado, sem poder fazer campanha e sem máquina a mobilizar em favor de seu poste, a as coisas podem se complicar.

Aí entram os pragmáticos. Nesta quinta, o governador de Minas, Fernando Pimentel, recebe os outros chefes de executivos estaduais petistas para debater a situação eleitoral. São eles Tião Viana (AC), Rui Costa (BA), Camilo Santana (CE) e Wellington Dias (PI).  Exceção feita a Viana, que encerra seu segundo mandato, mas pode fazer seu sucessor, todos os outros são candidatos à reeleição. Exceto Pimentel, a recondução dos demais é dada como favas contadas. O governador de Minas, que enfrentará dificuldades, mas não é carta fora do baralho, é um que não descarta a aliança com Ciro. Ao contrário.

Lula, por enquanto — e sua mais recente mensagem veio por intermédio de um monge do catolicismo de esquerda — diz ser o candidato e afirma que desistir seria admitir a culpa. Pode estar sendo vítima de alguma síndrome causada pela solidão do claustro? Pode. É preciso ter uma fibra e tanto para suportar, sem pirar, as, vá lá, quatro fases de sua vida: o retirante pobre, o sindicalista que teve papel central na abertura política, o político poderoso que levou quatro vezes seu partido à Presidência e, no quarto final, o presidiário. Demonstrou, em outras circunstâncias, que sempre esteve mais próximo dos pragmáticos do que dos sonháticos. A minha aposta é a de que, no momento que julgar adequado, liberará o partido para fazer o que tiver de ser feito.

Burro, convenham, Lula nunca foi. Assim como nós lemos as pesquisas, ele também lê. Se distribuirmos as intenções de voto em dois grupos: da extrema esquerda para a centro-esquerda e da centro-direita para a extrema-direita, a vantagem do primeiro é nítida nos cenários em que aparece o nome de Lula. O segundo fica com algo em torno de 25% dos votos, aproximando-se de 30% se consideramos o senador Álvaro Dias (Podemos). Do outro lado, do rosa pálido ao vermelho-choque, passa-se com tranquilidade, incluindo o nome de Marina Silva (Rede), dos 50%. Sem Lula, o campo da direita fica em vantagem, mas a massa dos votos inválidos se agiganta.

Seja lá o que possa acontecer com o chefão petista no futuro, é melhor ter um presidente de esquerda no poder, eleito com o apoio do PT e que vai indicar dois ministros do Supremo, ou um de direita ou centro-direita?

A resposta é óbvia demais para eu ter de dar explicações.

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