Lava jato, antitulismo apedeuta e xucros de parabéns! Ressuscitaram Lula, como previ, e o fortaleceram na política, mesmo preso

Publicada: 16/04/2018 - 5:29


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A extrema-direita lava-jateiras se empanturra de teoria política em sua biblioteca

Alienar-se da realidade e agarrar-se ao autoengano é um dos direitos, vamos dizer, sagrados dos seres humanos. Não sendo proibido por nenhum código, então é permitido. Não há lei que o regule porque não há nada que o restrinja ou ameace. Apegar-se ao mundo real é o caminho alternativo. Ao longo da vida, tenho preferido essa segunda opção, distinguindo sempre o meu desejo dos limites que estão dados pela realidade. E o fato inquestionável é que Lula, mesmo no xilindró, é quem mais tem motivos para comemorar os números da mais recente pesquisa Datafolha. Como o PT ainda não se desgrudou do seu rancor e da sua perplexidade, não conseguiu comemorar e preferiu atacar o instituto. Vive o impasse de quem tem o candidato impossível como favorito.

Vamos ver. O petista não alcançou, no primeiro turno, os 37% de outras jornadas. Seu topo é 31%. Dizer que caiu, como adverte o Datafolha, é incorreto porque não há nas pesquisas anteriores cenários idênticos. Nessas coisas, só se comparam alho com alho e bugalho com bugalho. Quando cenários idênticos são testados, como é o caso do segundo turno contra Geraldo Alckmin (PSDB), Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede), então baixa a realidade que o antilulismo gostaria de negar: o prestígio do petista segue inabalado: venceria o primeiro por 48% a 27%; o segundo, por 48% a 31%, e a terceira, por 46% a 32%. Esses números se movem na margem de erro desde novembro.

A influência de Lula na disputa oscilou para cima depois da prisão: 30% dizem que só votariam num candidato indicado por ele; 16% poderiam fazê-lo. Caso se cumpra, quem ele indicar estará no segundo turno. Prova evidente do seu prestígio está no fato de que 32% dos seus eleitores não votariam em ninguém. Caso ela se abstenha de fazer uma indicação, o que não vai acontecer, o índice “brancos/nulos/nenhum” do pleito chega a espantosos 32%.

O campo do centro e da direita segue em transe, e sua firmeza, como escreveu Camões está apenas na inconstância. O tucano Geraldo Alckmin pontua 6% quando Lula está no cardápio e chega a no máximo 8% sem ele. Candidatos próximos desse ambiente ideológico apresentam desempenhos pífios: Rodrigo Maia (DEM), Henrique Meirelles (PMDB), Fernando Collor (PTC), João Amoedo (Novo), Flávio Rocha (PRB)… Eis o batalhão da turma do 1%.

A verdade inequívoca é que o lado policialesco e fanático da Lava-Jato, de braços dados com a direita xucra, produziu essa maravilha que aí está: a eleição caminha para ser decidida pela esquerda, que só ficará fora do poder, vamos ser claros, se quiser. E olhem que nem estou incluindo Marina Silva nesse grupo, que caminha, por um tempo ao menos, para disputar a liderança do quase-nada com Jair Bolsonaro. Sem Lula, ela surge com 15% no levantamento; sem ele, apenas 10%. Bolsonaro, nesse caso, mantém seus 17% de sempre ou os 15% quando o petista está na parada.

Tudo indica que, como eu já havia apontado aqui, que bateu no teto. Para sair desse patamar, agora, o dito “capital” teria de dizer algo inteligente e de parar de açular seus brucutus na Internet, para ser um pouco mais inclusivo. Mas ele não vai fazê-lo. O segredo dos seu desempenho, convenhamos, nada modesto, dada a modéstia no que lhe vai entre as orelhas, depende do insulto permanente a qualquer forma de pensamento com dois neurónios e uma vírgula.

No terreno com sotaque de esquerda, desponta Joaquim Barbosa, com 8% ou 9%, a depender do com-Lula, sem-Lula. Seja lá o que pense Barbosa — eis uma tarefa para o jornalismo investigativo —, o fato é que se pode dizer dele ser um candidato, digamos, “iliberal”.

A Lava Jato, o antilulismo apedeuta, que não lê nem bula de remédio, e os xucros no geral estão de parabéns: terem ressuscitado Lula e conseguido fortalecer a sua influência no pleito, mesmo na cadeia, não é uma obra corriqueira. É preciso fazer muita besteira para isso. E, ora vejam, essa gente faz.

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