Maluf na cadeia-2: Quando até ele pode ser alvo ato destrambelhada, imaginem o que se dá por aí. E o verbo “malufar”

Publicada: 23/12/2017 - 10:21


Maluf, alquebrado, de muleta. Há quem veja fingimento; mas o fato é que ele tem 86 anos (Foto: Leonardo Benassatto/Reuters)

Quem, acompanhando os muitos sucessos e aventuras de Paulo Maluf no mundo da política, já não o quis preso? Acho que, exceção feita a seu eleitorado, ninguém escapa, não é mesmo? Ele sempre conseguiu se safar. Em parte, claro!, porque tem bons advogados. Mas não é menos certo que a precariedade das investigações que o envolviam teve um papel central nesses anos de impunidade. Houve, isto sim!, muita incompetência dos órgãos de investigação na produção das provas.

Então teria chegado a hora de Maluf, bradam por aí! Antes tarde do que nunca, certo? Pois é… A questão é que, lamento ter de escrever, parece que Fachin está mais de olho no alarido da opinião pública do que propriamente na justiça. Maluf foi condenado a sete anos, nove meses e dez dias por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Nesse caso, foram cinco as imputações, mas quatro já prescreveram.

Condenados por crimes hediondos começam a cumprir a pena em regime fechado. Corrupção e lavagem não estão entre eles. Assim, dada a idade abancada de Maluf e a precariedade, por definição, de seu estado de saúde

Crimes hediondos, independentemente do tamanho da pena, têm de ser cumpridos, inicialmente, em regime fechado. Corrupção passiva e lavagem não estão ente eles. Aos 86 anos, o deputado pertence a um grupo que soma apenas 0,7% dos brasileiros; daqui a quatro anos, entra para o clube de 0,1%. Pergunto-me se a prisão domiciliar, com a quase certa perda do mandato — que terá de ser declarada pela Mesa da Câmara —, não seria, a esta altura, do ponto de vista da Justiça, suficiente.

Convenhamos: há tanto tempo se espera uma prisão de Maluf — e ele sempre conseguiu se se safar — que efetivá-la, a esta altura, ignorando-se as suas condições objetivas e os fatores que poderiam evitar o regime fechado, tem mais o cheiro da demagogia do que da justiça; mais o odor da exemplaridade do que o olor do triunfo da lei. Tanto pior quando se dá, como é o caso, na antevéspera do Natal.

Caminhando para a conclusão
Eu não gosto de juiz que decide de olho no barulho da rua; eu não gosto de Justiça que atende à gritaria da opinião pública; eu não gosto de juiz que quer se confundir com astro pop. É evidente que Fachin resolveu ir para a galera. E Cármen Lúcia, que manteve a decisão, não agiu de modo diferente.

É claro que é chato ter de escrever isso. Ainda mais que Maluf, ora vejam, já me processou. Isso se deu na década de 90. Empreguei, então, a palavra “malufar” como sinônimo de subtrair algo que a outem pertence. Ele não gostou e foi à Justiça. Perdeu!

Esse caso, aliás, é um bom emblema da miséria a que certos “magistrados” estão conduzindo a justiça brasileira. Quando até Maluf pode ser alvo de uma decisão destrambelhada, a gente pode imaginar o risco que corre o conjunto do sistema se entregue à vontade desses voluntariosos da roga.

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