Munição que matou Marielle pertence a lote usado em chacina em SP. O que isso quer dizer?

Publicada: 16/03/2018 - 16:53


Informação vazada da Polícia Civil do Rio para a Rede Globo — e isso também faz parte da crise porque o alarido precede a informação precisa — dá conta de que a munição que matou Marielle Franco pertence ao mesmo lote de parte das balas empregadas nas chacinas de Osasco e Barueri, em São Paulo, em agosto de 2015. A munição foi originalmente comprada pela Polícia Federal de Brasília em dezembro de 2006. Trata-se do lote UZZ-18, comprado pela PF de uma empresa privada. Para lembrar: no caso dessa chacina, foram condenados três PMs e um guarda municipal.

O que isso significa?

Várias coisas.

Em primeiro lugar, nada! Não quer dizer que um mesmo grupo seja responsável pela chacina e pelo assassinato de Marielle. Ou ainda que a PF tenha algo a ver com o assunto. O roubo de munição é comum. Bem como a venda da dita-cuja entre organizações criminosas. Também há a possibilidade de recuperação e reutilização de cápsulas já usadas. Segundo a informação vazada, não há sinais de que tenha acontecido.

O que mais isso quer dizer?

Que a intervenção no Rio tem vários núcleos de sabotagem. Os assassinos de Marielle compõem um deles. Quem matou a vereadora quer as forças federais fora do Rio. Se não agora, daqui a pouco. Se não agora, na gestão federal que começará em 1º de janeiro de 2019. Quem matou Marielle está dizendo: “Isso aqui é nosso! Não se atrevam!”

Outro núcleo é composto pelos vazadores. Quando, sem maiores detalhes, chega a público a informação de que a munição foi originalmente comprada pela Polícia Federal e integra lote que estava entre as munições usadas na chacina de São Paulo, que teve dois PMs condenados, uma narrativa se forma na cabeça do público.

Mais um núcleo de sabotagem é o do batalhão da imprensa que insiste — por linhas tortas e sub-reptícias no caso das reportagens, por linhas explícitas no caso do colunismo  — em ver o insucesso da intervenção. Como se as forças federais do Rio pudessem grudar em cada morador da cidade para lhe garantir a segurança. Convenham: nem Marielle aceitaria isso, certo?, ainda que possível fosse, já que era adversária ferrenha da intervenção.

Estão tentando armar o Círculo do Capeta. E, se há coisa que o mundo da metáfora ensina, fiquem certos!, é esta: basta chamar o tinhoso, e ele aparece.

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