O CASO AÉCIO 1 – Vamos lá: nada a perder senão empreendedores do ódio, que atiram primeiro para ler depois. Quando leem…

Publicada: 15/04/2018 - 23:42


Já conheço todas as ofensas e gritarias. A indústria da ofensa começou quando critiquei Sérgio Moro em junho do ano passado por ter determinado a condução coercitiva de Lula. Na verdade, a minha crítica aos exageros místicos e míticos da Lava Jato existem desde os primeiros dias da operação. Não gosto de juízes candidatos a santos. Gosto de juízes candidatos a defender o Estado de Direito. Esquerdistas dizem que vão acrescentar “Lula” a seu nome; em resposta, a extrema-direita anuncia que fará o mesmo com “Moro”. Como não me subordino a potestades deste mundo, se tivesse de mudar o meu — mas estou satisfeito com ele porque o considero eloquente o bastante —, escolheria abstrações civilizatórias, não tentações totalitárias. Seria, deixe-me ver, “Reinaldo Constituição Azevedo”. “Reinaldo Estado de Direito Azevedo”, “Reinaldo Direito de Defesa Azevedo”, “Reinaldo Pense Primeiro e Fale Depois Azevedo”, “Reinaldo Repúdio à Demagogia Azevedo”. Iria por aí.

Assim, meus caros, nada a perder senão os “haters” profissionais, os empreendedores do ódio que hoje pululam na Internet. O país está indo por um mau caminho, conduzido pela sanha de pessoas que deixaram de lado a Justiça e preferiram se colocar como justiceiras. A pesquisa Datafolha publicada neste domingo é bastante eloquente sobre o risco das trevas. Regimes totalitários não nascem da noite para o dia nem nascem sem motivos. As razões costumam ser muito palpáveis. Os motivos que as ditaduras encontram são sempre verossímeis, mas são falsos; vale dizer: têm a aparência de verdade.

Já escrevi a respeito e volto à questão, praticamente nos mesmos termos. Nesta terça, o Supremo analisa a denúncia contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), Nunca se esqueçam de que ele fez parte de um pacote acertado entre Rodrigo Janot e Joesley Batista. O preço da impunidade absoluta que o então procurador-geral garantiu ao homem que confessou 245 crimes — somadas, as penas mínimas passariam de mil anos — era entregar a cabeça do presidente da República e do presidente do PSDB. E Joesley armou tudo direitinho.

Ministros do Supremo colaboraram para a patuscada. Janot escolheu o relator do caso, então: Edson Fachin. Tanto não era ele o juiz natural que se viu na contingência de abrir mão da relatoria no que diz respeito a Aécio — afinal, o que a acusação tem a ver com a Petrobras? Nada! Mas o doutor manteve a imputação contra Michel Temer. Cármen Lúcia foi conivente com a coisa toda, mesmo sabendo que Fachin era um juiz escolhido a dedo. Ainda no tribunal, Roberto Barroso defendeu encarniçadamente a tese de que delação premiada, mesmo que recheada de crimes, tem de ser mantida. Pode estar acima da Constituição. Talvez seja mera coincidência o fato de Fernanda Tórtima — que é advogada da JBS e que participou desde o começo das lambanças da delação, envolvendo também o ex-procurador Marcelo Miller — ser filha da ex-mulher do pai do ministro e de ter tido com ele intensa convivência familiar…

Pronto. Até aqui, a gritaria dos desinformados é pequena. Ela vai se adensar no post abaixo deste.

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