Pesquisa Datafolha: Lula, Marina e Barbosa podem comemorar; prestígio de petista ainda inabalado; ex-membro do STF no jogo

Publicada: 15/04/2018 - 10:51


A pesquisa Datafolha, publicada pela Folha neste domingo divide, de pronto, os pré-candidatos em dois grupos — para efeitos de raciocínio, incluo Lula entre eles: há os que podem comemorar os números e os que têm motivos para se preocupar. Estão na primeira turma o ex-presidente da República, ora na cadeia, Marina Silva (Rede) e Joaquim Barbosa (PSB). Acende-se o sinal amarelo de advertência para Geraldo Alckmin (PSDB), Ciro Gomes (PDT) e Jair Bolsonaro (PSL). Então vamos entender por quê. Comecemos por aqueles que, do ponto de vista eleitoral, estão num lugar mais confortável do que antes.

O grande e inequívoco vitorioso se chama, com todas as letras, Luiz Inácio Lula da Silva. A sua capacidade resistir à avalanche de más notícias deveria impressionar até os antilulistas mais ensandecidos. Aliás, se não souberem ler os recados do eleitor, pior para eles. O patamar de Lula no primeiro turno caiu, é verdade. Chegou a ter 37% em levantamentos anteriores. Agora, a sua marca máxima no primeiro turno é 31%.

A variação deixa de ter relevância quando se analisam outros dados. Saltou para 62% o índice dos que acham que o petista não será candidato. Ocorre que seu prestígio no segundo turno segue inabalado. Venceria com folga todos os seus adversários. Mais: exibe tendência de aumento o número daqueles que só votariam (30%) ou poderiam votar (16%) num nome indicado por ele. A se cumprir essa determinação do eleitor, Lula põe um indicado seu no segundo turno.

Só isso? Não! Nada menos de 32% dos seus eleitores dizem não escolher ninguém caso ele não esteja na disputa. Se o seu nome não aparece entre as alternativas, os brancos e nulos dão um salto de 10 pontos percentuais: de 13% ou 14% para 23% ou 24%. Metade do eleitorado acha que ele deveria ser candidato.

A Lava Jato e a direita xucra estão de parabéns! Do ponto de vista eleitoral, os petistas não conseguiriam fazer por Lula o que elas fizeram. O negócio é rezar mesmo em favor da inviabilidade da candidatura.

O PT insiste em que o candidato à Presidência será Lula. E se pode dizer sem medo de errar: não será. Essa determinação, no entanto, impede o chefão petista de fazer uma escolha. Assim, quando não está na disputa, os nomes alternativos têm um desempenho ainda pífio: Fernando Haddad aparece com apenas 2%, e Jaques Wagner, com 1%.

Com Lula na disputa, Marina não tem por que soltar rojões: continua empacada na cada dos 10%. Quando o petista é, no entanto, retirado da lista, ela aparece com 15% ou 16%, em empate técnico com Bolsonaro, que fica com 17%. Lula lhe daria uma surra no segundo turno: 46% a 32%, mas ela bateria Alckmin (44% a 27%) e o candidato da extrema-direita (44% a 31%).

Joaquim Barbosa, agora filiado ao PSB e último a entrar na corrida eleitoral, marca distinguíveis 8% quando Lula está na disputa  — afinal, Ciro, com 5%, e Alckmin, com 6%, tentam conquistar as preferências há mais tempo. Quando o petista está fora do jogo, o ex-ministro do Supremo fica praticamente no mesmo lugar: 9%. Isso aponta para uma adesão consolidada, que independe da conjuntura. E quer dizer que ele pode, sim, crescer.

A sorte está lançada.

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