Decisão de Moraes sai nesta 3ª, mas a votação pode ser adiada; 12 senadores estarão ausentes

Há no grupo pelos menos três votos contrários a Aécio Neves e dois que são incertos; presidente do Senado aposta que votação ocorrerá nesta terça

Publicada: 17/10/2017 - 7:34


Plenário do Senado: Casa pode fazer hoje uma das votações mais importantes de sua história

A votação do plenário do Senado que vai decidir se mantém ou não o afastamento de Aécio Neves (PSDB-MG) está prevista para esta terça, mas há uma possibilidade de que seja adiada. O que virá a público com certeza é a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, sobre pedido de liminar em mandado de segurança preventivo, impetrado por Randolfe Rodrigues (AP).

O senador da Rede, uma espécie de vivandeira dos tribunais, quer a garantia de que a votação não será secreta. Há uma boa chance de que Moraes determine, sim, o voto aberto, embora não seja essa uma posição incontroversa. Eu mesmo acho que deveria ser secreto. É perfeitamente possível sustentar que a decisão cabe ao Senado, não ao tribunal. Mas tenho para mim que o ministro decidirá de modo diverso. Acho, pois, que Aécio vai, sim, enfrentar o voto aberto. A questão tem lá suas complexidades técnicas. Explico no post anterior.

Para que possa retomar seu mandato, o tucano precisa da maioria absoluta, isto é, de mais da metade do total de 81 senadores: pelo menos 41. Já se sabe 12 se ausentarão nesta terça. Dois estão com problemas de saúde, e os demais em viagem. O líder do PMDB, Romero Jucá (RR), um articulador hábil, recupera-se de uma diverticulite e ficará afastado mais dois dias. Já fez um candente discurso contra a punição aplicada ao tucano. Ronaldo Caiado (DEM-GO), que é um renomado ortopedista, caiu da mula e quebrou o úmero. Vai se ausentar por duas semanas. Estima-se que vote, ou votasse, contra o afastamento.

Um grupo está em missão oficial nos Emirados Árabes. Dois deles estão entre os que poderiam votar em favor do tucano: Armando Monteiro (PTB-PE) e Ricardo Muniz (PP-BA). Já Ricardo Ferraço (ES), embora do PSDB, andou dizendo coisas ambíguas a respeito. Cristovam Buarque (PPS-DF) integra essa turma. Seu voto é incerto. Uma outra leva de parlamentares viajou à Rússia. Estão conhecendo de perto Vladimir Putin e sua democradura Jorge Viana (PT-AC), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Sérgio Petecão (PSD-AC), Roberto Muniz (PP-BA) e Gladson Cameli (PP-AC). Bem, a julgar pelas últimas declarações dos petistas e aliados, Aécio pode potencialmente contar com Muniz, Petecão e Cameli. Se o PT cumprir o que andou anunciando, até Gleisi, a ré que preside o PT, votará contra o tucano.

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), acredita que a votação acontece mesmo nesta terça. O resultado é considerado incerto por muitos. Não deveria ser. Trata-se, afinal de contas, de um Poder da República decidir se fica de pé ou de joelhos.

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