LULA EM CAMPANHA 2: Ele quer que os petistas chamem de “companheiro” quem foi às ruas bater panelas contra Dilma

Até agora, tenta-se dar uma identidade à candidatura de Geraldo Alckmin fazendo dela uma adversária de Temer. É uma coisa estúpida! Os adversários, obviamente, são Lula e seu partido. E ambos não têm a menor dificuldade em reconhecer seus inimigos

Publicada: 07/12/2017 - 7:29


Lula no Instituto Federal Fluminense, em Campos (RJ): entre a ameaça e o abraço (Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação)

Lula previu, no discurso feito em Campos, que haverá turbulências no país no ano que vem. Eis o Lula que precisa juntar seus radicais, não é? Precisa da militância aguerrida. Mas a burrice passou longe do companheiro. Ele sabe que o PT não tem chance de vencer a disputa se não reconquistar ao menos fatia daqueles que aderiram ao impeachment de Dilma e que foram eleitores do PT no passado.

Fosse um esquerdista xucro, ele repetiria o que os xucros têm dito por aí: “Nada de alianças com partidos golpistas”. Ocorre que o ex-sindicalista que se elegeu duas vezes à Presidência — e que conseguiu emplacar em outras duas um mesmo poste —  enxerga mais longe do que os seus pares. Dia desses, falou em perdão. Desta feita, foi um pouco mais mundano, camarada e didático e ensinou como deve agir um petista com alguém que foi às ruas contra Dilma:
Aqueles que foram bater panela, aqueles que foram para as ruas apoiar o golpe, não têm mais panela para bater. Estão batendo a cabeça na parede de arrependimento. Não vamos tratá-los com indiferença. Vamos estender a mão e dizer ‘vem para cá, companheiro'”. E acrescentou: “Sempre é tempo de aprender”.

Como se nota, há aí uma estratégia. Lula está deixando claro às esquerdas que elas jamais voltarão ao poder caso se apresentem por aquilo que efetivamente são, limitando-se a suas igrejinhas de pensamento. É o que ele pretende fazer na esfera partidária. Evidentemente, as suas alianças jamais se estenderiam ao PSDB e ao PMDB de Michel Temer. Esses, ele quer manter, efetivamente, como adversários, dispensando-lhes tratamento de inimigo.

Do ponto de vista de Lula e do PT, a estratégia faz, sim, sentido. Notem que eles estão tentando reconquistar aqueles que desertaram dos anéis de influência do petismo. Os tucanos, por sua vez, curiosamente, estão na fase de jogar aliados ao mar. Não há uma só coisa, mas uma penca delas, a explicar por que Lula seria eleito se a disputa fosse hoje. E, entre essas coisas, está uma percepção muito aguda de quem é aliado, potencial aliado, adversário e potencial adversário.

Obviamente, não se pode dizer a mesma coisa sobre o PSDB, não é mesmo? Até agora, tenta-se dar uma identidade à candidatura de Geraldo Alckmin fazendo dela uma adversária de Temer. É uma coisa estúpida! Os adversários, obviamente, são Lula e seu partido. E ambos não têm a menor dificuldade em reconhecer seus inimigos.

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