Nos limites da lei, Temer fará em favor do Brasil tudo o que fizer contra o golpe

Setembro, mês em que a PGR se verá livre de Janot, está perto, mas ainda está longe. Que as instituições não permitam que o procurador-geral conduza o país ao abismo

Publicada: 17/07/2017 - 7:15


Rodrigo Janot deixa o cargo no dia 17 de setembro. Não vai conseguir cumprir a tarefa que se impôs: derrubar o presidente Michel Temer. Quando teve início a cruzada, com o vazamento bombástico de um conteúdo que nem estava na gravação feita por Joesley Batista, o açougueiro de instituições, apostava-se que o presidente não duraria uma semana. Pois é. Falhou a tática da Blitzkrieg, e o procurador-geral teve de recorrer à criatividade para manter viva a chama “Fora Temer”, que só existe na agenda da esquerda e na da direita do miolo mole. Como se pode constatar, trata-se de um movimento sem povo.

Duvido que o doutor saia antes de apresentar uma nova denúncia contra o presidente, o que ele pode fazer a qualquer momento, antes mesmo que o plenário da Câmara se pronuncie sobre a anterior. Isso já nos diz muito do temperamento desse patriota. Ele pretende denunciar o presidente duas vezes, talvez três, tendo como base um mesmo suposto fato criminoso. Tudo muito típico destes tempos de direito criativo, quando procuradores e juízes se orgulham de dizer que procedem a “um livre exame da prova”. Pois é: tem sido tão livre que se esquecem até de apresentar a prova. Em seu lugar, propõem o exame de teoremas sobre probabilidades.

O Congresso entra em recesso amanhã, mas não se enganem: os plantadores e hortelões não vão descansar. A imprensa, normalmente empregada como instrumento de luta por vazadores e especuladores, ganha ainda mais importância. Vem por aí muita fofoca, a que se dará, obviamente, livre trânsito.

Da forma como Janot e certa imprensa construíram a narrativa, o futuro do país está hoje nas mãos de dois patriotas da qualidade de Eduardo Cunha e Lúcio Funaro. Pior: dado o método de trabalho empregado pelo senhor procurador-geral da República, foi aberta uma espécie de concorrência entre esses dois colossos morais: ganha quem fizer a delação mais devastadora. Adivinhem que cabeça está a prêmio. Sim, leitor amigo, você acertou: é a de Michel Temer.

Agora que Funaro e Cunha já sabem, mais ou menos, até onde os investigadores chegaram, então eles próprios podem decidir até onde podem chegar em defesa do próprio interesse. É uma estupidez que nos encontremos em tal ponto. É um escândalo moral que o país esteja, agora sim, mais do que nunca, à mercê de bandidos.

Nos limites da lei, todo esforço que o presidente Michel Temer fizer em defesa da legalidade e para desarticular a arquitetura do golpe se constituirá em uma ação em defesa do país. Assim, andou bem o Planalto quando cuidou da substituição de nomes na Comissão de Constituição e Justiça, atuando, reitero, dentro do que lhe permitem as regras do jogo.

Da mesma sorte, o governo deve proceder a uma redistribuição de influências na Esplanada dos Ministérios e na máquina federal, tendo como referência as fidelidades e infidelidades dos partidos da base.

Sim, a gente gosta de lembrar Sun Tzu, não é, para quem “a suprema arte da guerra é vencer o inimigo sem lutar”. Mas se fala aqui de um estrategista da guerra, não de um de nefelibata, de um bovarista, de um idealista tolo. Acho que é dele também a seguinte síntese: “Em terreno de sangue, luta!”.

O presidente Temer é a única chance que tem o Brasil, num prazo razoável, para realizar a reforma da Previdência. Caberá ao processo político decidir se o futuro do país será empenhado a alguns bandidos que estão dentro e fora da cadeia para atender aos desígnios de um procurador-geral que há muito perdeu qualquer senso de objetividade e atribuiu a si mesmo o papel de reformador do mundo.

Ocorre que, entre outros problemas, ele decidiu usar como clavas da Justiça reputações como Joesleys, Cunhas e Funaros.

Setembro está perto, mas ainda está longe. Que as instituições não permitam que Janot conduza o país ao abismo.

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