O erro de FHC 2: Em lugar de atacar Temer, PSDB deveria se perguntar por que Lula está em 1º

Os ditos cabeças-pretas — o nome é patético — cismaram que têm uma agenda que não está contemplada pelo governo Temer. É mesmo? Qual é?

Publicada: 07/11/2017 - 9:41


Itamar Franco (à dr.) dá posse a FHC, que está ao lado de Marco Maciel (à esq.): lendo a realidade

Ao se referir ao PT, FHC afirma em seu artigo que o partido não “se livrará dos muitos malfeitos que cometeu e das ilusões que enterrou”. É verdade! Mas o sociólogo que decidiu fazer um pouco de história, ainda que ligeira, está obrigado a lembrar, acho eu, que, hoje, depois de tudo e a despeito dos “malfeitos”, Lula seria eleito presidente da República. Ainda que a Justiça venha a pôr uma pedra no seu caminho, pesquisas indicam que teria condições de alçar um ungido seu no segundo turno.

Como explicar a situação em que se encontra o PSDB, ainda que acumule muito menos “malfeitos”?

FHC trocou Castells por galos que cantam alhures. O voto não esquerdista, de protesto, anti-establishment, que atinge Temer na mesma faixa e frequência em que atingirá qualquer candidato do PSDB, estará com Jair Bolsonaro. Esse mesmo impulso, com sinal ideológico invertido, vai buscar Marina Silva (Rede). E assim será não porque o PSDB integra a base do governo Temer, mas porque se deixou tragar, sem resistência, pela ação deliberada dos que decidiram destruir a política junto com os políticos, não distinguindo e hierarquizando a qualidade dos “malfeitos”.

A única resposta das forças democráticas sensatas seria investir numa candidatura de centro, liberal, não hostil ao governo, que pudesse contar com o apoio dos principais partidos da base. Nesse particular, a leitura que João Doria fez do quadro estava correta. A minha restrição ao que disse há dias está na motivação. Assim deve ser não por causa de Lula ou Bolsonaro, mas em defesa dos valores essenciais do regime democrático.

O que querem FHC e os que pensam como ele? Empurrar, por exemplo, o PMDB para uma escolha que exclui os tucanos, pulverizando votos que deveriam estar unidos?

A agenda necessária no governo Temer, apesar de tudo, avançou mais do que a do segundo mandato de FHC. Os tucanos deveriam, isto sim, é fazer praça de decisões corretas e essenciais tomadas por este governo, que contaram com o apoio do partido. E ser a vanguarda da modernização da economia no tempo que falta. Mas não! Os ditos cabeças-pretas — o nome é patético — cismaram que têm uma agenda que não está contemplada pelo governo Temer. É mesmo? Qual é? Fico cá a me perguntar se os cabeças pretas de miolo mole não querem desertar, como costuma ocorrer, por covardia, não por coragem. Fogem, assim, das reformas e ainda afetam superioridade política, intelectual ou moral. Diante de quem?

Trata-se de um erro brutal. Ao contrário do movimento em curso, as forças políticas responsáveis deveriam é estar empenhadas em ajudar o presidente Temer a fazer as reformas, muito especialmente a da Previdência. Quem terá a coragem de tocar no assunto em 2018 ao enfrentar o PT? Este, sim, partirá com tudo na jugular do presidente. O que os tucanos esperam? Disputar um lugar na fila da impostura?

Sendo como é, destaque-se:
a: quem disputar a eleição negando a reforma nem terá como tentá-la caso eleito, certo?
b: quem disputar a eleição fingindo que o problema não existe também estará proibido de tocar no assunto se vitorioso — a menos que queira ser deposto.

A máquina de denúncias que colheu Aécio Neves deixou o PSDB sem comando e sem leitura da realidade. Perde-se hoje no eleitoralismo sem imaginação.

Sim, Rodrigo Janot e seus bravos, que FHC se nega a criticar, respondem em larga medida pela falácia de que todos os partidos são iguais. Mas os tucanos precisaram cometer erros em série (como o voto de parte da bancada na Câmara para depor o presidente) — e FHC comete outro agora — para que o peso do petrolão tenha conduzido o partido à desordem e levado o PT, de novo, à condição de favorito.

Não parece que as coisas tenham se dado assim porque o partido e seus sábios tenham lido direito a história.

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