Sabem o que acho que vai acontecer de perigoso à ordem pública no dia 24, quando o TRF 4 julga o recurso de Lula? Nada!!!

Publicada: 15/01/2018 - 7:34


Sabem o que acho que vai acontecer de perigoso à ordem pública no dia 24, quando o TRF 4 julga o recurso de Luiz Inácio Lula da Silva contra a condenação imposta por Sérgio Moro? Nada!. As ameaças feitas por radicais de esquerda, segundo as quais ocuparão tribunais país afora caso o petista seja condenado, não passam de bravata. O PT é mais esperto do que isso e está de olho mesmo é na disputa eleitoral de outubro, com chance de figurar no topo do ranking no primeiro turno com ou sem Lula. Radicalizar pra quê? Se a condenação for mantida, como acho que será, o rótulo do mártir rende muito mais do que o do truculento. Se alguém acha que o PT não tem frieza para isso, cumpre observar: tem!

Obviamente, Lula será mantido como o candidato oficial do partido à disputa até a undécima hora; até que se esgote o último recurso possível. Isso facilitará a transferência de votos para o nome que ele ungir em seu lugar. Se, por qualquer razão, estiver preso — ainda que, evidentemente, o ex-presidente não queira isso —, ter-se-á um ativo eleitoral extra. Se os adversários do PT ainda não sabem disso, adversários não são, mas jumentos em corpo de gente. Assim, cumpre tomar as promessas de protesto de um lado e de outro por aquilo que elas valem: mera retórica para intimidar os adversários.

E aqui vai uma nota de reprovação a Nelson Marchezan Jr. (PSDB), prefeito de Porto Alegre, que chegou a pedir ao presidente Michel Temer a presença do Exército e da Força Nacional, alegando “iminente perigo à ordem pública e à integridade dos cidadãos”. Há várias impropriedades aí. Em primeiro lugar, não é de sua competência fazer tal pedido. A ordem pública é tarefa do governo do Estado, e a este cabe solicitar a auxílio federal caso julgue que não terá condições de manter a ordem pública. Em segundo lugar, o pedido é incompatível com o, digamos, “clima”. Não há evidências de que as coisas caminhem para uma guerra campal, de que a Polícia Militar não possa dar conta. Em terceiro lugar, desde que mantidas as regras do jogo — a civilidade democrática —, os cidadãos são livres para se manifestar. Inclusive em defesa de Lula. Ou Marchezan só via exercício legítimo do direito ao grito nos protestos contra Dilma Rousseff e o PT?

Se o tucano dispõe de alguma informação que justifique a interferência federal, que ele a encaminhe ao governo do Estado ou, então, no limite, que a divulgue. Sugiro ao prefeito que se comporte como prefeito, não como militante. Chame para conversar as lideranças de um lado e de outro e, nos limites que couber à Prefeitura, que tome as devidas providências — na área de trânsito, por exemplo — para colaborar com a ordem pública.

Nesta segunda, diga-se, Cármen Lúcia, presidente do STF, recebe Carlos Eduardo Thompson Flores, presidente do TRF4. Em pauta, justamente o julgamento do recurso de Lula. Às 16h30, ele trata do mesmo tema com a procuradora-geral da República, Raquel Dodge. Thompson Flores, por exemplo, é uma das autoridades que deveriam ter sido mais prudentes. Fez duas coisas impróprias: elogiou, há algum tempo, a sentença condenatória de Sérgio Moro, o que não lhe cabe fazer, e, mais recentemente, expressou o temor de que magistrados possam ser vítimas de violência. Mas não deixou claro o motivo de sua apreensão, além do diz-que-diz-que nas redes sociais.

Todos sairemos ganhando se adotarmos as regras da democracia como padrão. As autoridades que tomem as devidas medidas preventivas para evitar conflitos e coibir eventuais transgressões à lei — e isso implica garantir o direito à livre manifestação.

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