Advertência dos números 1: Bolsonaro obteve, na verdade, 39,23% dos votos do eleitorado, e Haddad, 31,93%. Ou: nem Cesar nem Catilina

Publicada: 29/10/2018 - 8:23


Vitoriosos e derrotados desta eleição têm de levar em conta alguns números se não quiserem brincar com fogo. A razia que a Lava Jato promoveu na política levou ao poder nomes que se apresentaram “contra o sistema” — e, por óbvio, Jair Bolsonaro, embora no 28º ano de mandato como deputado, é um deles. Soube encaixar o seu discurso e afiná-lo com a insatisfação de milhões de pessoas. Mas cumpre que se coloquem aqui alguns dados para a reflexão dos leitores e também dos protagonistas da peleja. O Brasil conta com 147.305.825 eleitores. Bolsonaro obteve 55,13% dos votos válidos. Em números: 57.797.423 — vale dizer: 39,23% do total de eleitores, e isso corresponde a bem menos da metade dos eleitores brasileiros. Os 44,87% de válidos do petista Fernando Haddad — 47.040.574 — representam, na verdade, 31,93% das pessoas aptas a votar. Parece-me que esses dados já deveriam ser suficientes para conter vocações cesaristas de quem governa ou a disposição de eventualmente melar o jogo de quem foi derrotado. O eleitor não está disposto a tolerar nem um César nem um Catilina. Há sinais positivos de ambos os lados. Em seu segundo discurso — o primeiro foi péssimo —, Bolsonaro falou em respeitar as regras da democracia, e Haddad afirmou apreço pelas instituições. É bom mesmo!
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