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BATTISTI 9: Barroso e Cármen Lúcia, heróis nas redes sociais do punitivismo, tiveram papel central no “fica terrorista”. E isso é apenas fato

Publicada: 14/01/2019 - 5:57


Cumpre lembrar onde estavam, em 2009, alguns supostos heróis e vilões de hoje, ao menos na versão de algumas milícias nas redes sociais. Naquele ano, o Supremo procedeu a duas votações: a concessão do refúgio a Cesare Battisti havia sido legal ou ilegal — já que o pressuposto de Tarso Genro era o de que o terrorista havia cometido crimes políticos? Votaram pela ilegalidade do refúgio — e, pois, contra as pretensões de Battisti — os ministros Gilmar Mendes, Cesar Peluso (relator), Ricardo Lewandowski, Ellen Gracie e Ayres Britto. Consideraram que tudo estava nos conformes os ministros Joaquim Barbosa, Eros Grau, Marco Aurélio e Cármen Lúcia. Na segunda votação, os ministros decidiram se a corte, no caso, tinha uma função meramente declaratória ou se o presidente da República era obrigado a se subordinar a ela. Nesse caso, Britto, que havia considerado irregular o refúgio — e, pois, regular a extradição — mudou de grupo e formou a maioria a favor das pretensões de Battisti. Ah, sim: o advogado do terrorista era Roberto Barroso, depois ministro do Supremo.

Para quem ainda não entendeu: dois dos ditos heróis do punitivismo de hoje em dia tiveram papel decisivo na permanência do terrorista no Brasil: Barroso, como advogado de Battisti, e Cármen Lúcia, que votou a favor da legalidade do refúgio e da discricionariedade de Lula para fazer o que lhe desse na telha. Mendes e Lewandowski, hoje alvos preferenciais de alguns tontos, votaram nas duas vezes para que Battisti acertasse suas contas com a Justiça italiana.
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