Bolsonaristas querem mudar na Previdência neste ano o que não depende de emenda; e se acena a não-eleitos com “é dando que se recebe”. Pois é…

Publicada: 08/11/2018 - 7:37


Na Painel, da Folha. Volto depois:
Chame os veteranos
A equipe do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) começou a se mexer para viabilizar a aprovação de uma reforma da Previdência ainda neste ano, antes da posse do novo governo. O futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), recrutou um grupo de deputados influentes da velha guarda da Câmara para articular a votação. Eles avaliam alternativas para conciliar o projeto enviado pelo governo Michel Temer (MDB) ao Congresso e as propostas em estudo na equipe de Bolsonaro.

Em sintonia
Temer e Bolsonaro discutiram o assunto no encontro que tiveram nesta quarta (7) no Palácio do Planalto. Uma das possibilidades seria propor mudanças nas aposentadorias que não dependam de emenda constitucional e possam ser aprovadas mais facilmente na Câmara.

Com a digital
Outra hipótese seria o presidente eleito aproveitar sua condição de deputado federal e apresentar ele mesmo um substitutivo ao projeto do governo Temer, dando peso à iniciativa. Uma alternativa seria seu filho Eduardo, que também é deputado, assinar a proposta.

É só fazer força
Na avaliação de um ministro do governo Temer, o movimento terá condições de contornar as resistências do Congresso à reforma se o presidente e seu sucessor agirem juntos e às claras.

Prêmio depois
O grupo mobilizado pela equipe de Bolsonaro inclui parlamentares que estiveram à frente da campanha pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT) e que não se reelegeram neste ano. Aliados do presidente eleito dizem que eles poderão ocupar cargos no futuro governo.

(…)
Comento
De fato, há mudanças, nenhuma essencial, que podem ser feitas por maioria simples, sem precisar recorrer à emenda constitucional, que requer três quintos dos votos na Câmara (308) e no Senado (49). Quem diria que o governo Temer assumiria tal importância na sua reta final, não é mesmo?

Vamos ver.

Se bem entendi, aos senhores parlamentares, especialmente àqueles que não foram reeleitos, seria oferecido um prêmio, é isso?, caso votem a favor “de alguma mudança”?

Estou enganado ou isso é uma promessa do “é dando que se recebe”?

Notem: eu não trato governabilidade assim, segundo esses termos. É que a campanha de Jair Bolsonaro, de tão poucas propostas, tinha ao menos uma ideia-força, certo? Não se dedicaria a trocas dessa natureza, chamadas de “espúrias”.

É… Agora talvez se consiga algo. Pelos belos olhos apenas, bem, aí não seria possível.

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