MPF: Peão da esquerda no xadrez do poder diz ser eu velhaco e cachorro. Em defesa de Dallagnol!

Carlos Fernando, que integra o trio que fez respiração boca a boca no partido dos companheiros, não contesta um só argumento meu; prefere me xingar

Publicada: 25/07/2017 - 21:22


Carlos Fernando e Reinaldo Azevedo, o rottweiler: adivinhem quem é o hidrófobo

Carlos Fernando, o lugar-tenente de Deltan Dallagnol na Lava Jato, é o mais virulento dos membros da operação. Embora não tenha a mesma presença midiática de seu jovem amigo — faltam-lhe “faces rosadas e perfil longilíneo”, como definiu certo site de palestras —, é uma espécie de guardador da doutrina. É hoje o principal arauto da esquerdização da Lava Jato. Concedeu, por exemplo, uma entrevista ao Estadão afirmando que boa parte das forças que apoiaram inicialmente a operação só queriam a deposição de Dilma Rousseff.

Como todo mundo sabe, essa é a tese central do PT; essa é a tese central de Lula. Embora ele tenha feito parte daquela pantomima do PowerPoint contra o chefão petista. E como se explica a aparente contradição? É simples! O MPF decidiu matar a política. Os valentes pretendem ser a única referência do Bem no país. Como, para atingir tal objetivo, é preciso ser mais organizado e mais competente do que eles são, crescem as forças que têm mais experiência na manipulação da opinião pública.

Muito bem! Demonstrei, de forma incontestável e incontrastável, que o ingresso de Deltan Dallagnol no Ministério Público se deu desrespeitando a Lei Complementar 75, que exigia, então, dois anos de formação. Em razão de uma liminar, Dallagnol prestou o concurso no ano em que colou grau, 2002, e já começou a exercer a função em 2003. Sempre sob a égide da liminar.

Quando o Tribunal Regional Federal da Quarta Região examinou a questão em razão de um recurso da Uniã, reconheceu, sim, como já demonstrei, que o ingresso havia se dado contra a Lei —, mas levou em consideração o princípio do fato consumado.

Na resposta malcriada que me deu, Dallagnol insistiu na inconstitucionalidade da exigência e afirmou que esta havia sido declarada por diversos juízes. Observei o óbvio: o único tribunal que poderia fazê-lo era o Supremo. Outras instâncias podem, incidentalmente, alegar que um determinado ato fere a Constituição.

Dallagnol insiste, o que fica evidente, que remanesce a inconstitucionalidade da exigência, que hoje é de três anos, não de dois (em razão do Emenda Constitucional 45, que foi parar no Artigo 129 da Constituição). Tal insistência chega a ser espantosa. No meu artigo desta manhã, cito vasta jurisprudência do Supremo atestando a constitucionalidade da exigência do tempo mínimo de formação. E atenção! É preciso que o candidato esteja formado há pelo menos três anos no ato da inscrição.

Na sua resposta, Dallagnol parte pra cima de mim com o lero-lero de primeiro (ou segundo) aluninho da classe: passou em segundo lugar no concurso do MPF, em primeiro para juiz de direito no Paraná e em primeiro para promotor do Estado. E daí? Desde quando isso confere fumos de fidalguia a alguém na República? A academia, esta sim, pode distinguir os notáveis com títulos e honrarias próprios daquele ambiente. Numa carreira na qual se ingressa por concurso? Não! Mais: por decisão do Supremo, inexiste a aplicação do principio do fato consumado.

Vale dizer: Dallagnol me atacou e não respondeu coisa nenhuma.

Carlos Fernando
Mandam-me agora um ataque boçal desferido por Carlos Fernando no Facebook, a saber:

Nunca me dei ao trabalho de rebater Reinaldo Azevedo porque seria muita perda de tempo responder as bobagens que escreve. Como disse Churchill, “você nunca vai chegar ao seu destino, se parar para atirar pedras em cada cão que late pelo caminho.”

Entretanto, mesmo considerando quem é e seu histórico de maledicência, até a torpeza tem limite.

Acusar Deltan Dallagnol de ter entrado contra lei no Ministério Público Federal é vil. Deltan passou no mesmo ano que se formou em 2° lugar no concurso para juiz de direito do Paraná, em 1° lugar para promotor de justiça do Paraná e em 10° para Procurador da República.

Para a sorte do MPF, optou pela carreira federal. E assumiu o cargo, mesmo não tendo 2 anos de formado, em virtude de decisão do TRF de Porto Alegre em processo que moveu contra essa exigência.

Mas, ao fazer a insinuação de que essa decisão deu-se por ajuda de seu pai, Reinaldo Azevedo atinge o ponto mais baixo de sua já decadente carreira. Sem qualquer evidência, faz a ligação de uma suposta influência do Dr. Agenor Dallagnol, membro do Ministério Público do Paraná, com o Tribunal Regional Federal em Porto Alegre, o que é absurdo, pois se tratam de instituições diferentes, em esferas e estados diferentes.

O papel aceita tudo e Reinaldo Azevedo é livre para escrever o que quiser, apenas ficando o veículo que lhe dá espaço maculado por ter permitido que esse tipo de infâmia fosse publicada.

No mais, uma coisa Reinaldo Azevedo tem razão: todos sabem quem ele é.

Retomo
Perdeu, Carlos Fernando!

Notem que o argumento mais forte que existe em seu texto em favor de Dallagnol é o fato de que o rapaz passou em segundo lugar no concurso. Em nenhum momento, ele contesta as minhas objeções. No mais, ataca a minha dita “velhacaria”, recorre ao “Google citações” — ou alguém aí acha ser ele do tipo que lê Churchill ? — para me chamar de “cão”; atribui-me o que não disse, a saber: que o pai do coordenador da Força Tarefa tenha tido influência no destino do filho. Apenas informei que seu advogado na causa havia sido seu pai, procurador de Justiça aposentado do Paraná.

Ah, claro! Carlos Fernando fala na minha “decadente carreira”, repercutindo o esgoto da Internet e aquilo que as pessoas que me detestam, como ele, gostaria que fosse verdade. Se é assim, deveriam ignorar as minhas críticas.

É mentira que eu posso escrever o que quiser sem consequências. É mentira que o papel aceita tudo. Assim como é mentira que a Internet aceita tudo. Se cometi contra Dallagnol um dos chamados crimes contra a honra, devo responder isso. Assim como fará Carlos Fernando se incorreu em um deles. Ou mais de um.

É verdade, Carlos Fernando! Todos sabem que eu sou. Mas desconfio que nem todos saibam quem você é. E o tempo se encarregará se trazer à luz a biografia de alguns heróis de ocasião.

Cada vez mais, o projeto político de uma ala do Ministério Público Federal vai se tornando claro. Não por acaso, este senhor é citado, com frequência, sem contestação, como candidato a deputado federal pelo Paraná, com Deltan Dallagnol concorrendo pelo Senado, ambos pelo “Podemos”. É o que pré-presidenciável do grupo, senador Álvaro Dias, alardeia por aí.  Ambos estão, como diria Leonel Brizola, costeando o alambrado; estão testando as possibilidades. Só precisam de uma saída honrosa.

A esquerda que pensa vibra a cada chilique de Carlos Fernando ou de Deltan Dallagnol. Sabe que a dupla, depois de ter colaborado, sim, em companhia de Rodrigo Janot, para desmascarar parte ao menos das falcatruas petistas, é hoje o maior esteio do renascimento do partido. Em companhia, claro, do procurador-geral e da direita xucra.

Você não quer a esquerda de volta ao poder? Então cobre também que estes senhores passem a seguir a lei, inclusive as regras que regem o Ministério Público. Carlos Fernando, este mesmo, resolveu, ora vejam, tratar também da reforma política. Já não disfarça: fala como político e como candidato.

Quanto às velhacarias, trataremos da coisa no ambiente adequado.

Por enquanto, o que escrevi e o que Deltan e ele escreveram seguem sob o escrutínio de advogados e juristas.

O Ministério Público quer ser o caminho mais caro e mais traumático entre a esquerda e a esquerda. E conta, para tanto, com o aplauso de alguns bocós que se dizem de direita.

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