Nenhuma estupidez é tão imodesta no Senado como a de Randolfe, amigo de Maduro. Ele é o rei da “fake opinion”

Publicada: 21/02/2018 - 5:41


Randolfe Rodrigues: a quantidade de bobagens ditas pelo amigão de Nicolás Maduro é assombrosa.

O ambiente do Senado é sempre um pouco mais circunspecto do que o Câmara. Nem poderia ser diferente. Tem pouco mais de um sexto —  81 membros — do total da outra Casa: 513. E, por isso mesmo, os atos ridículos se tornam mais visíveis. As argumentações canhestras se mostram mais salientes. São tantos os deputados que as intervenções bisonhas acabam se diluindo no excesso. Já na chamada “Câmara Alta”, a coisa é um pouco diferente.

O PT se revezou na tribuna no esforço de demonstrar, ora vejam , ou que o presidente Michel Temer estava tomando uma decisão eleitoreira — e a acusação embute a premissa óbvia de que a ação do governo no Rio conta com o apoio da esmagadora maioria da população — ou, o que é mais espantoso, que a intervenção era desnecessária. Lindbergh Farias chegou até a dar uma receita que poderia substituir a ação federal: depreende-se de seu discurso que, caso se resolvam todos os problemas sociais, econômicos, urbanísticos, educacionais e administrativos do Rio,  a intervenção se faz desnecessária. Acho que concordo com ele. Afinal, convenham: com aquela paisagem e com todos os problemas resolvidos, o próprio Deus mudaria a sede do Céu e mandaria Cristo, o Redentor, descer do morro e dar lugar para quem verdadeiramente manda. Patético!

Ninguém, no entanto, elevou o ridículo à categoria do quase sublime, dada a quantidade de asneiras que falou, como Randolfe Rodrigues. Mais uma vez, o falso senador da Rede do Amapá — na verdade, ele continua a ser do PSOL — se esmerou na estupidez, a exemplo do que fez durante o impeachment de Dilma. Não se esqueçam de que foi ele o mais bravo lutador em favor da permanência da então presidente do cargo. Ninguém foi tão virulento no ataque àqueles que queriam o impeachment.

Demonstrando uma ignorância solar da Constituição, procurem o discurso, o amigo de Nicolás Maduro afirmou que os artigos 34 e 35 da Constituição impediriam a intervenção. Sabe-se lá de onde tirou ao argumento. O 34 prevê justamente a intervenção federal nos estados par “para pôr termo a grave comprometimento da ordem pública”. E o 35 trata na intervenção dos Estados nos municípios.

Ignorante agudo, também na voz, e convicto, aí no caso das ideias, o doutor resolveu emitir uma outra “fake opinion”, que é a opinião falsa expressa pelos ignorantes ou pelos de má-fé porque ancorada numa mentira: sugeriu que a Constituição só prevê a intervenção com o afastamento do governador.

A mentira é escandalosa. A mentira é grosseira. A mentira é boçal.

É o contrário do que ele diz. O Parágrafo 1º do Artigo 34 é explícito a mais não poder:
“§ 1º O decreto de intervenção, que especificará a amplitude, o prazo e as condições de execução e que, se couber, nomeará o interventor, será submetido à apreciação do Congresso Nacional ou da Assembleia Legislativa do Estado, no prazo de vinte e quatro horas.”

Como resta claro, a dita-cuja pode ser parcial — como a ocorrida no Rio, limitando-se à área de segurança pública —, e o “interventor” que substitui o governador será nomeado “se couber”. Logo, ele emite uma “fake opinion” ao atribuir à Constituição o que nela não vai.

Ao atingir o estado da arte da delinquência intelectual, o senador afirmou alguém denunciado por “integrar organização criminosa” — referia-se à acusação não menos delinquente que Rodrigo Janot fez contra o presidente Temer — não teria autoridade moral para assinar o decreto de intervenção. Tivesse um mínimo de vergonha já nem digo na cara, mas no mandato, não evocaria uma acusação que, a esta altura, resta claro, nasceu de uma tramoia.

No Senado, Randofle merece o galardão de o parlamentar que soma com mais determinação esquerdismo chulo e virulento, ignorância de causa, arrogância e populismo barato.

Caso Marina Silva venha a ser presidente da República, ele certamente será ministro. E então veremos o Estado de direito com um pote de clorofila em uma das mãos e a foice na outra.

Maduro
Por que falei de Maduro? Vejam esta foto:

Vejam ali o senador, sorridente, com ar servil, ao lado de um assassino. Não venha dar aula de moral e cívica quem tem a desfaçatez de harmonizar a sua gravata com a de um brucutu fascistoide que mata e prende opositores, que lidera um regime de terror, que condena gerações à miséria e ao atraso.

A foto que se vê acima é de 2013. Foi tirada no auditório Darcy Ribeiro, da Universidade de Brasília. Os psolentos foram lamber as botas sujas de sangue do tirano. Estavam comemorando o ingresso da Venezuela no Mercosul.

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