Reação de Onyx é a pior; ataca a Folha, que só publicou o que está na PGR, e o PT, sem deixar claro o que o partido tem a ver com a delação

Publicada: 14/11/2018 - 16:37


A reação do deputado Onyx Lorenzoni à reportagem que demonstrou que há na Procuradoria-Geral da República uma planilha demonstrando que ele recebeu da JBS, pelo caixa dois, R$ 200 mil, não R$ 100 mil, como admitiu, foi a pior possível. Fez um discurso de seis minutos. Em nenhum momento, afirmou que os delatores estão mentindo, que a acusação é mentirosa ou que a planilha não existe. Até porque existe. Preferiu atacar a Folha, que publicou a reportagem, a “mídia engajada” e o PT — não ficou claro o que esse partido, em particular, tem a ver com a acusação. A resposta obedeceu a esta sequência de diatribes:
1: afirmou que a Folha quer o terceiro turno das eleições. O deputado ignora que o jornal apenas reporta o que está em investigação na Procuradoria-Geral da República; e se trata de informação que não está sob sigilo, note-se;
2: a Folha informa, nesse caso, o que disseram os delatores. Acontece assim com todos os políticos que são acusados;
3: Onyx pergunta se a Folha quer Haddad, Lula, Dilma, Dirceu. É puro diversionismo: o que a delação da JBS tem a ver com isso? O que Onyx queria? Que a Folha omitisse a informação para provar que não quer o PT de volta? Quem vota é o eleitor, não a Folha. Mas está dado um padrão: toda acusação que houver contra alguém da turma será considerada obra do… PT;
4: o deputado reclama que faz um ano que muitos tentam destruir Jair Messias Bolsonaro. A acusação não envolve o presidente eleito. É Onyx quem tenta, nesse momento, grudar-se em Bolsonaro, tentando comprometê-lo com a sua defesa. Ele fará isso uma segunda vez;
5: reclama que a turma não teve trégua depois da eleição; que não teve paz para organizar o governo. Falso! Todas as trapalhadas que vieram a público, como fusões e não-fusões de ministérios, são obra da equipe de Bolsonaro. A imprensa não tem nada com isso;
6: Onyx diz que já jogaram coquetéis Molotov no seu escritório no passado. O que isso tem a ver com a planilha que está na PGR?;
7: acusado resolve atacar o PT mais uma vez, afirmando que o preço que se paga para “enfrentar a bandidagem, o mecanismo corrupto que o PT implantou no Brasil”, é violento. Ele não deixou claro o que alho tem a ver com bugalho; a delação da JBS nada tem a ver com o partido;
8: diz que está com Deus e com o povo;
9: colou-se a Bolsonaro e a Sérgio Moro, afirmando que eles três são combatentes da corrupção.

A fala foi o melhor exemplo do que se conhece por diversionismo.

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